Concurso Literário de Junho PDF Imprimir E-mail
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Terça, 28 Junho 2005

Foi este o trabalho vencedor do nosso Concurso Literário de Junho.
Parabéns ao João Carlos!

O Espantalho Solitário
 
         Era uma vez, um espantalho muito solitário. Tinha as algibeiras rasgadas, olhos pretos e assustadores, um nariz torto e comprido e uma boca que tornava a sua cara muito assustadora. Tinha um chapéu velho e largo e as suas mãos eram ásperas, feitas de palha. Aquele espantalho, parecia ser muito mau, mas no fundo do seu peito, batia um coração doce e amável e existia também muita solidão e tristeza, pois os animais do bosque e da seara temiam-no, não querendo aproximar-se muito dele.
         O espantalho, do cimo do seu monte, observava os animais: as raposas com as suas brincadeiras descuidadas, os coelhos a saltitarem de um lado para o outro, até os patos ouvia a chapinhar no lago. E, quando olhava, sentia uma mágoa forte por não poder ser amigo dos animais.
         Mas, de repente, soprou uma brisa fria, acompanhada de pequenos flocos de neve. Os animais correram a esconder-se, nas suas tocas e ninhos quentinhos.
         Na manhã seguinte, o espantalho acordou e, admirado, olhava para a multidão de animais, que o miravam atentamente. O espantalho estava coberto por um manto de neve, que o fazia ficar lindo, e era isso que atraía os animais. Mas temia que, quando descongelasse, os animais descobrissem que ele era o espantalho que tanto temiam. É claro que, neste momento, o espantalho só podia estar feliz, por se sentir rodeado de tantos animais.
         Passou algum tempo, até que a Primavera chegou e, com ela, as flores e o Sol. E, com o seu calor, a neve começou a derreter. Então,  o espantalho revelou a sua verdadeira identidade.
         - Olhem para ali! - exclamava um esquilo.
         - É o grande espantalho! - afirmaram uma raposa e um melro.
         - Vamos fugir! - gritou uma toupeira que mal via o que se passava.
         Mas antes de poderem fugir, lembraram-se que tinham convivido com ele e que nada de mal lhes tinha feito, pois ele era amável e bondoso.
         Hoje em dia, ele sente-se feliz, pois tem amigos.
         Os passarinhos fazem o ninho no seu chapéu e os ratos na sua algibeira. Todos são amigos.
 
Esta história diz-nos que, para sermos amigos de alguém, temos antes que o conhecer.      
          
Fim
João Carlos Brás de Sousa,  Nº 18 ,5º6ª
 
 
 
 
 
 
 
 

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