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"Soldado de Infantaria Pára-quedista, Nim: 00410597 Ambrósio, pronto para o serviço!" Normalmente era assim que me apresentava ao meu superior hierárquico antes de iniciar qualquer serviço. É uma exigência descrita no RSGUE que o determina. Oopss, se calhar estou a ir depressa de mais. Talvez seja melhor começar do princípio (para que percebam estes termos tão particulares) ... Já fui um adolescente como qualquer outro, procurando sempre algo de novo, em tudo nunca tendo a certeza de nada, nem em relação ao futuro pessoal nem ao futuro profissional. Queria seguir Desporto mas a Matemática tratou de me tornar esse objectivo quase impossível. Comecei a matutar sobre o que havia de fazer em alternativa às aulas quando fui chamado para cumprir o serviço militar obrigatório. Fui à inspecção! Chaparam-me com o carimbo de "Apto"e chamaram-me a uma sala cheia de fotografias de militares envergando os camuflados e empunhando as armas mais sofisticadas que o nosso (pobre) exército permite ter. Deixaram-me alguns minutos sozinho para eu me deslumbrar com o que via e quando me abordaram, a pergunta foi directa: "Você está interessado em servir, como voluntário, as tropas Aerotransportadas?". Aquilo apanhou-me de surpresa, mas pensei: "Que diabo, se tenho que cumprir o serviço militar obrigatório ao menos que seja numa coisa como deve ser!". Fiz as provas de admissão e fiquei apto a embarcar numa fase da minha vida que nunca irei esquecer. Quando me apresentei no quartel pela primeira vez, não fazia a mínima ideia do que iria encontrar. Por isso, a minha ansiedade era enorme. Estávamos ali, com os sacos na mão, sem sabermos o que iria acontecer a seguir, olhando à volta como se estivéssemos noutro planeta. Víamos militares andarem de um lado para o outro, atarefados, para nos distribuírem o fardamento e indicarem qual o nosso alojamento, a nossa casa durante 7 meses de treino intenso. A partir desse dia, a nossa rotina passou a ser feita com uma espingarda na mão e uma mochila às costas que pesava quase tanto como eu. Levantávamo-nos às 6h30, tomávamos o pequeno-almoço, e íamos para o campo rastejar na lama, na água, nas pedras e em todos os pedaços de terreno mais duros que ali se encontravam. Tínhamos instrução teórica sobre armamento, topografia, sinais de combate e muitas outras coisas que supostamente serão úteis no campo de batalha. Não parávamos de dia e de noite. Como devem calcular, foi um choque tremendo para quem não fazia a mínima ideia do que era a vida militar. Mas mesmo nos momentos mais difíceis sempre pensei para comigo: "Sou voluntário, então vou até ao fim!". Ainda bem que sempre tive esta maneira de pensar, pois se assim não fosse não teria conseguido ultrapassar todas as dificuldades que passei juntamente com os meus camaradas com quem criei fortes laços de amizade. Só com um grande espírito de entreajuda é que conseguimos superar todos os obstáculos que os nossos instrutores, "amavelmente", punham no nosso caminho. Depois de meses a fio a sofrer para chegar ao fim, eis que surge o dia em que tudo terminaria; o dia do nosso último salto em pára-quedas. Aquele que iria anteceder a cerimónia que todos aguardávamos: a entrega das boinas! Depois do inesquecível salto, fomos premiados com a boina e as asas que orgulhosamente irei usar para o resto da minha vida. Com isto, chegou ao fim uma fase que jamais esquecerei, não só por todo o conhecimento técnico que me foi ministrado, mas acima de tudo pelos valores que me foram incutidos: a Lealdade, o Respeito, a Amizade, o Espírito de Sacrifício e a Determinação para enfrentar as barreiras que de certeza irei encontrar pela vida fora, honrando assim o nosso lema: "QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM". Daniela Freitas 2º Ciclo do Ensino Recorrente Turma A |