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Segunda, 07 Janeiro 2008

Chamam-me Rosa, Rosa do Deserto. Não sou de geração espontânea. Tenho um pai e uma mãe. O meu pai é o vento do deserto. A minha mãe é a areia. Por isso me chamam Rosa do Deserto.

 

Comecei a sentir o palpitar do meu coração numa tarde dourada e ardente, como só as tardes do deserto podem ser. Era um coraçãozinho muito pequenino. Mas, de dia ara dia, à medida que o orvalho caía, que o choque das temperaturas acontecia e que os ventos cruzados sopravam em direcção às areias ondulantes das dunas, ia-o sentindo mais forte, mais forte, até que ficou rodeado de petalazinhas rijas que, crescendo, crecendo, crescendo, se foram ajustando umas às outras, como se tivessem ali sido colocadas e buriladas por um grande escultor.

 

Do meu pai tenho os traços do mistério e do encanto do deserto.  Da minha mãe herdei esta cor morena.

 

Acham-me bela e é o que eu realmente sou, uma bela rosa do deserto.

 

Se ouvirem bem as batidas do meu coração, sentirão mesmo um cheiro a rosas, rosas bravas, vindas do deserto do Sara, lugar que faz sentir pequenos aqueles que o visitam, tal a sua imensidão, a sua luz e o silêncio profundo que o envolve, convidando à oração ao Criador ou ao Grande Arquitecto deste Mundo, como lhe queiram chamar. E foi Ele que, enfim, também fez florescer o deserto!

 

 

Professora Maria Isilda

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