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No dia 7 de Dezembro aconteceu na nossa escola um colóquio inesquecível, onde a magia, a ternura e o saber estiveram de mãos dadas. A convite da professora Leonor Amaral, chegaram ao CRE duas personalidades da nossa terra, para falarem, entre outras coisas, do Padre Alberto Neto e de escritores nascidos em 1907: Miguel Torga, Jorge Dias e Carlos Queiroz. Trata-se dos professores universitários Fernando Catarino e José Manuel Cymbron. Os dois conversaram informalmente com alguns colegas, que tiveram a oportunidade de ir até ao CRE. Formou-se depois a mesa, constituída pelos convidados, pelo Presidente do Conselho Executivo, pelo coordenador da Biblioteca e pelo presidente da Assembleia de Escola, que desempenhou nas funções de moderador. O Presidente do Conselho Executivo deu as boas vindas aos oradores e agradeceu a sua presença.  Em seguida ocorreu um enternecedor momento musical: alunas da turma 6.º 4.ª cantaram, com a candura própria da sua idade, o poema "Aprender a estudar", de Ary dos Santos. É um poema que vai, de certeza, ao encontro do modo como o Padre Alberto Neto veria a aprendizagem. E como diz o poema, ela apresenta, além de outras tonalidades, a magia de "... saber ajudar os outros, viver com os outros.... repartir, dar.... e pensar".
 O professor Fernando Catarino, grande homem e grande ecologista, apreciou este momento e divergiu depois para a análise de alguns aspectos da vida do nosso patrono, que viveu em tempos conturbados. Teria sido, segundo o professor, tal como o padre Felicidade, um "adiantado mental". O Padre Alberto Neto era um defensor da liberdade e dos direitos humanos. Deu - o muitas vezes a entender, nas homilias que proferia na capela do Rato e em Rio de Mouro. Foi um professor exímio, amado pelos seus alunos, que se rendiam às suas palavras e à sua música; foi enfim, um homem com H grande, mas que infelizmente, apanhado no turbilhão dos tempos , morreu em circunstâncias estranhas, que nunca chegaram a ser desvendadas. Fernando Catarino revelou ainda que o nosso padre privara com Miguel Torga. A propósito, recordou, de uma forma sábia, alguns aspectos da poesia deste autor, analisando o poema "Pois eu gosto de crianças". Referiu também escritores como Jorge dias, Júlio Resende e outros. Continuando o seu discurso fluente, simples e cheio de vivacidade, cativou a audiência falando sobre um dos temas do colóquio - o nosso património natural. Citou então a floresta mediterrânica, a sobrevivência nesta zona, do castanheiro, do carvalho rasteiro, a importância da sustentabilidade da paisagem e da conservação da biodiversidade. Foi uma linda lição ecológica. A este convidade seguiu-se o grande professor universitário José Manuel Cymbron, para dissertar sobre o património cultural e urbano. Começou por estabelecer uma ligação entre os três escritores já citados. Referiu algumas reflexões do Padre Alberto Neto: "... a única certeza que o educador pode ter, é de que , nas questões da vida, do amor e de todos estes grandes mistérios vitais, a grande sabedoria é a capacidade de procura e de pesquisa permanente (...)" . Foram declamados e analisados poemas de Carlos Queiroz e Miguel Torga, imbuídos de reflexões sobre a infância e o verdadeiro espírito de Natal, partilhados certamente pelo nosso patrono. Viveram-se aqui momentos muito belos. Depois o orador apresentou textos de Jorge Dias - idílicos, bucólicos, sugerindo cenas do passado, como, por exemplo, a ida dos saloios desta zona para Lisboa, com os seus carros de bois carregados de produtos da terra. Continuando a sua "aula", o professor referiu a concentração enorme de património construído em Sintra: palácios, palacetes, conventos, museus... salientou ainda a presença da vasta floresta, da serra, do mar, um maravilhoso ambiente mágico, difícil de encontrar em qualquer outro lugar do mundo, que inspirou poetas como Lord Byron e outros. A propósito de poetas, toda a gente cantou, com uma grande emoção, o poema de Florbela Espanca "Ser Poeta ". E a sessão terminou com o agradecimento aos convidados, feito pelo Presidente do Conselho Executivo e a audição do Hino de Haydn, " A Criação do Mundo" . A reflexão sobre a criação das sementes, que geraram árvores, que fizeram brotar flores, que exalaram o seu perfume, que deram frutos, sombra e frescura, poderia transportar-nos a Sintra. E não fosse o esvoaçar da música, como um pássaro mensageiro, a encher a sala, acordando os corações de quem a ele se entregava, poder-se-ia ouvir o silêncio. Foi sublime.
Professora Maria Isilda |