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Terça, 19 Junho 2007

O Pássaro da Imaginação e o seu voo...

Uma nuvem apareceu em frente do sol. Tapou-o e uma enorme sombra abateu-se sobre o enorme prado em que eu descansava... acordou-me do "meio sono" em que me encontrava...

Levantei-me, pronto a encarar a nuvem que me estragara a sesta. Ganhei balanço. Bati as asas. Primeiro voei e acabei por ser forçado a aterrar. Estivera muito tempo no prado, não estava pronto para voar suficientemente longe que conseguisse fugir daquela sombra malvada.

À segunda tentativa consegui bater asas e elevar-me no ar. Despedi-me da relva, das árvores, do vento. Este último disse-me que vinha comigo, também ele não gostava daquelas nuvens e queria ir ter com o sol.

Voei ao lado das árvores que dançavam com o vento. Fiz piruetas por entre os ramos que me tentavam abraçar.

Quando ergui os olhos, vi um raio de sol que, muito timidamente, acariciava o chão, um pouco mais à frente. Apressei-me na sua direcção, ainda queria aproveitá-lo durante um pouco, antes de, também ele, ser devorado pelas horríveis nuvens que pareciam querer dominar o mundo!

Bati as asas duas vezes, com toda a força do mundo, mas não fui a tempo. Aquele último raio de sol, que se podia ver, tinha sido engolido. Quis revoltar-me, bater as asas com tanta força que as nuvens se fossem embora. Bem sabia que não era possível, mas a minha esperança não se abalou, continuei a voar em busca do sol. Voei tanto que até o vento me disse para ir sozinho.

Acabei por, eventualmente, encontrar sítios lindos cheios de sol, mas nada tão belo como o meu prado.

Voei durante anos e anos, desafiando as leis migratórias da Natureza, em busca de um prado tão belo como o meu. Voei por cima das Caraíbas, das Maldivas. Até cheguei a descansar em cima das estátuas da Ilha de Páscoa. Mas nada era tão belo como o meu prado, onde as árvores nos cumprimentavam com suaves balançares de folhas. Onde o tímido salgueiro se escondia por detrás dos seus ramos.

Cerca de cinco anos depois da invasão das nuvens, vi ao longe um prado, um lindo prado, banhado pelo sol, um sol bravo e forte que, com certeza, ia manter as nuvens longe durante muito e muito tempo.

Aterrei. Deitei-me. Disse um "olá" a todas as árvores do prado. Elas responderam-me com um " bem-vindo de volta ". Foi aí que entendi. Não existia sítio mais lindo no mundo. Tinha voltado ao meu prado.  

                                                       Eduardo Estêvão
                                                       Nº. 14, 8º. 1ª.


Uma velha caixa

Era apenas um simples, cansativo e longo dia de aulas. Estava a chover. As minhas meias estavam molhadas, a mala impermeável deixou que os meus livros e cadernos ficassem completamente destruídos.

Enfim... apetecia-me gritar! AAAAAAAAAAAAH!

Só conseguia pensar que esse dia estava estragado.

Fui para casa. Tinha de passar todos os cadernos estragados a limpo. A Filipa tinha-me emprestado os dela.

Estava cansada, triste, furiosa, com raiva e super chateada com tudo e com todos. Estava farta deste mundo obscuro, onde sempre chove e sempre se apresentam dias feios, cinzentos, nus...

Fui até ao sótão, para o meio do pó.

Com todas as chatices e loucuras deste mundo, dei por mim a falar com o pó dos livros sobre a legalização do aborto.

Bem, definitivamente estava a dar em doida, mas rapidamente me apercebi que o pó nunca me iria responder se é contra ou a favor do aborto.

Dentro de mim solta-se uma fúria enorme e só me lembro de ter andado aos pontapés com os livros, tantos pontapés, até encontrar uma velha caixa.

Parecia menos antiga e transmitia uma enorme sensação de bem-estar. Nunca me tinha sentido assim. Tão calma e serena.

Abri a caixa. Lá dentro tinha uma caixa de música. Pu-la a tocar.

Fiquei a olhar fixamente para aquela caixa durante alguns segundos.

Adormeci.

Acordei num lugar fantástico.

Ali eu sentia-me bem.

Sentia-me mais livre que uma águia, mais calma do que a própria calma e sentia-me, principalmente, amada.

Sentia que alguém naquele lugar me amava mais do que qualquer pessoa do mundo. Uma pessoa que se preocupava comigo... No fundo, sentia-me segura, respeitada, sentia que naquele lugar ninguém iria julgar-me pelo aspecto, gosto, hábitos, culturas ou religiões.

Passeei um bocado pelos grandes prados verdes daquele lindo lugar.

Sentei-me.

Encostei-me.                                                                           

Adormeci.

Acordei alguns segundos depois.

A caixa de música tinha parado.

Estava de novo num mundo cinzento e feio.

Queria regressar àquele mundo.

Pus a caixa de música a tocar novamente.

Adormeci.

Acordei num lugar fantástico...

                                                               Ana Isabel Correia
                                                               Nº. 2, 8º. 1ª

A minha Visita à Floresta Encantada

Acordei! Espreguicei-me. Bocejei desmesuradamente. Abri os olhos. Apercebi-me de que estava deitada na relva de barriga para cima e observava o céu azul claro, com nuvens dispersas aqui e além.

Acordei! Espreguicei-me. Bocejei desmesuradamente. Abri os olhos. Apercebi-me de que estava deitada na relva de barriga para cima e observava o céu azul claro, com nuvens dispersas aqui e além.

Porque estava ali? Que horas eram? Onde estava eu? Quem era eu? Essas perguntas nem passavam pela minha mente ensonada. Estava bem, sentia-me bem: era só isso que interessava.

Então oiço uma voz. Não, não era uma voz. Eram muitas. Desorganizadas. Dizendo a mesma coisa em tempos diferentes.
- Dorminhoca, se já acordaste, levanta-te! Estás a magoar-nos! Como que atingida por um raio, ergui-me logo e questionei surpreendida:
-Quem está ali?
- Nós. - Responderam as vozes troçando.
-A Relva, totó!    
O medo começava-se a transformar noutra coisa. Um sentimento mais violento, tão comum nos humanos quando se assustam... Fiquei exaltada, isto é, "raivosa". Algum engraçadinho a zombar de mim, certamente!
-Onde está a engraçadinho?
-Engraçadinho? Como assim?
Onde estava ele? Então vejo a relva como que a mexer-se toda na mesma direcção formando um montículo um à minha frente. Montículo, esse, que continuou a crescer até formar um monte de relva com contornos humanos. Estava pasmada de boca aberta a olhar para a coisa estranha que acabara de acontecer. Se tivesse passado por ali alguma mosca... ainda acabava por a engolir. Que nojo!
Foi a criatura, o monstro, ou lá o que aquilo era quem recomeçou a conversa.
-É mais fácil comunicar assim, certo?
Então fiz uma coisa completamente estúpida e ridícula, embora não me tivesse apercebido disso na altura. Gritei histericamente. Rodei nos meus calcanhares. E fugi a correr, deixando a criatura para trás.
Não sei quanto tempo corri, mas quando parei, estava sem forças, e árvores de tamanho médio rodeavam-me. Pareceu-me ouvir murmúrios, comentários, vindos das árvores, das pedras, das flores, dos fetos, de tudo o que ali estava. Comentários como aqueles que se ouvem quando a nossa presença é profundamente indesejada num determinado local.
-Estás bem? - Perguntou uma voz rouca.
- Quem está aí? - Começara a recuperar do pânico e esforçava-me por manter a cabeça fria.
- Eu.
- Eu quem?
- Eu.
Foi então que o vi. Era um lince ibérico. Um animal em vias de extinção. Uma criatura que eu sempre considerara minha preferida. Dedicava amor àquela criatura que nunca conhecera. Bastava olhar para uma fotografia de um lince para me sentir invadida por uma ternura enorme e agora estava, de facto, com hipóteses de conhecer um! Que alegria! Que felicidade! Um sonho tornado realidade!
- Um lin-lince? - Balbuciei.
- Sim, criança humana, és cega?
- Não...
- Tenho uma missão para ti.
- Missão?
- Os linces são na floresta mediterrânea o mesmo que os leões são na selva africana: reis.
- Sim...
- Quero que informes os humanos chefes que a minha espécie está a morrer.
- Mas eles já sabem...
- Sabem? Sabem!!!??? Como podem eles saber? Sabem mas continuam a condenar-nos à morte?
O lince, irado, fez uma pausa como que esperando uma resposta minha que não veio. Que humano ele é, apesar de animal... pensei. Pensamento estranho, se o analisarmos.
- Alguém humano não é, SUPOSTAMENTE, alguém bondoso, benigno, compassivo? Criança humana, vocês não o são. Segundo as vossas próprias palavras, são mais animais do que nós. Agora, vai-te embora. Os seres desta floresta não gostam de ti, nem dos da tua raça. Vai, desaparece. Não te magoarão por ordem minha, mas vai.
- Sim.
Virei as costas ao lince, e saí da floresta. Não sei como encontrei o caminho para casa. Deitei-me na cama e acordei.                                                 

                                                        Inês Silva
                                                       Nº. 20 - 8º. 1ª.

Viagem sem destino

Portugal, ano de 1501, um ano depois de o Brasil ter sido descoberto. Questionava-me por que só os homens partiam à descoberta de novos lugares, povos, culturas. Não percebia porque é que toda a gente achava que os homens tinham mais direitos, mas também não podia fazer nada contra isso!

Era tamanha a minha imaginação que resolvi provar que as mulheres tinham tanta ou mais força que os homens. Mas a força de que eu falo não é a força física, mas sim a força de vontade. Essa sim, é verdadeiramente importante!

Resolvi então falar com uns amigos do meu pai para me arranjarem uma caravela, mantimentos, homens e mulheres, padres e artesãos que estivessem dispostos a partir à aventura, sem qualquer destino. Mas íamos pela calda, à noite, para que ninguém se apercebesse. Ía fazer isto por mim e por todas as mulheres de Portugal e do Mundo. Ninguém poderia saber, senão os homens mais machistas tentariam impedir-me. E uma coisa muito importante... Tinha de ir disfarçada de homem...

Dia 27 de Março de 1501, duas e meia da manhã, já toda a aldeia dormia profundamente, era hora de partir à aventura.

Preparei tudo com os meus homens e despedi-me da minha família. Só eles sabiam verdadeiramente que eu era mulher. Agora ía começar a grande viagem da minha vida, talvez sem retorno, mas estava disposta a fazer esse sacrifício, sabia que mais tarde todas as mulheres do mundo iriam admirar a minha bravura e a minha coragem, haviam de falar de mim e ter-me como um exemplo a seguir.

Passaram três dias e três noites e estava tudo a correr às mil maravilhas. Ninguém desconfiava de quem eu era. Eu sentia que ía conseguir. Estava muito confiante. Gostava muito da tripulação, mas houve um homem que me chamou mais à atenção, pela sua extrema beleza. Tinha cabelos loiros, olhos azuis, profundos como o mar que nos rodeava. Era alto e muito simpático e inteligente.

Passaram-se um, dois... cinco... oito meses, e nada, não descobria nada. Os meus homens estavam doentes, a morrer... O padre estava a perder a fé. E confesso que também estava a perder as esperanças. O barco estava cheio de problemas, quase todo inundado. Não sabia mais que fazer. Não sabia se daria para voltar à minha cidade natal...

Quando a esperança estava quase a acabar, avistei algo escuro no horizonte, aí as caras tristes de toda a tripulação tornaram-se mais felizes do que uma criança quando come um gelado e brinca no parque. Era uma ilha. Chegámos e levámos algum tempo para conseguir atacar o barco. Deparámo-nos com uma linda paisagem, predominada por laranjeiras e limoeiros. De imediato me lembrei das aulas de ciências que tive com um professor particular em casa.
E pensei logo num nome citrino, e daí surgiu o nome Ilha Citrina!

Explorámos a ilha e não havia qualquer sinal de ser habitada. Fiquei deveras feliz por ter sido eu a impulsionar esta maravilhosa descoberta, mas logo me senti triste por não saber como conseguiria sair dali e divulgar a todo o mundo a minha grande descoberta.

Sentia que devia uma grande explicação a todos os meus colegas de bordo, tinha que lhes contar a verdade. Chamei-os e disse-lhes:

- Finalmente chegámos e tenho que agradecer a todos os que não desistiram e lutaram comigo com o objectivo de realizar este meu grande sonho. Mas chegou a altura de vos contar a verdade: Eu sou mulher, e disfarcei-me de homem só parta poder partir à aventura. Sempre me senti muito indignada por o mundo ser governado por homens e resolvi provar que as mulheres também são capazes de fazer as mesmas coisas que os homens...

Nisto fui interrompida por aquele lindo homem por quem sentia uma grande admiração. Ele disse:

- Sei que ainda não pediste desculpa, mas mesmo sem pedires, quero que saibas que estás perdoada. Temos de te agradecer por tudo o que fizeste por nós.

Tirou-me a boina e beijou-me. Ajoelhou-se e pediu-me em casamento, claro que eu aceitei... E disse:

- Só há um grande problema. Como é que vamos sair desta ilha?

Ele respondeu:

-Isso não importa, o que importa é estarmos juntos.

Eu fiquei felicíssima e vi que a minha única hipótese era mesmo ficar a viver naquela ilha para sempre.

O padre que levámos, casou-nos e utilizámos alianças feitas por um artesão, feitas de raízes de pequenas árvores. Mas para nós, aquelas alianças valiam mais que ouro. Para nós, valia um grande amor. O nosso. Um amor que havia de durar para sempre. Ali...

                                                                             Ana Filipa Marina   Nº1- 8º 1ª
  

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