| Geremangia |
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| Terça, 24 Abril 2007 | |
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Eu...escrivão...só....sem família, nem primos afastados nem tios desaparecidos...nada... apenas Deus. Por Ele eu me transformei padre, um padre fiel ao seu compromisso. Por Ele, e por saber que é a minha missão na terra (descobrir novos povos, novas terras, novos mares, novas culturas), eu partira para esta odisseia, esta aventura que se chama Geremangia, a terra do ouro, das especiarias, do sonho... 28 de Fevereiro de 1500, uma data que eu nunca esquecerei... Carlos Manuel Duarte, Guerreiro, Nobre, sabe que há maldições e sinais a perseguir os fortes. Carlos tudo enfrenta, é homem de um só desígnio, antes quebrar que torcer. D. Barral I já lhe dera tença por bons serviços militares prestados à coroa. Agora, D. Luís III confia-lhe o comando da primeira expedição à Geremangia. A PARTIDA... Honras e pompas no Terreiro do Paço e a 28 de Fevereiro de 1500, um sol gélido de madrugada com brisas frescas e brilhantes, partem à descoberta, 1400 homens que se despediam dos filhos...das esposas...da família e que prometiam voltar. Partem as naus Santilena com 1400 homens a bordo, sem contar com os animais e produtos alimentícios. Na armada, entre outros, seguem Manuel Dias, cronista d'El-rei. Seguem também mulheres de má vida, médicos e cirurgiões, padres e mesteireiros. A VIAGEM... Subia a conta dos dias, iam passando meses e meses sempre a navegar, e a trabalhar. Os alimentos começam a escassear e ainda nem quatro meses tinham passado. Os marinheiros começam a desconfiar de Carlos Duarte. - Capitão, Capitão! Acho melhor ir ao convés do navio! - Disse um dos marinheiros. - Mas porquê? - Interrogou Carlos. - Se eu fosse a si, ia ver com os próprios olhos... - respondeu o marinheiro. Quando o Capitão-mor chegou ao convés, havia uma "manifestação" da parte dos marinheiros, porque achavam que o Capitão os tinha enganado, dizendo que demorava apenas três meses até chegar à Geremangia, e já tinham passado quatro meses e nada de terras com ouro e especiarias. Continuavam navegando mas com muito poucos alimentos, correndo o risco de morrerem deixando para trás os filhos e as esposas sem nada. Mas, Carlos dera uma desculpa de tal maneira que os marinheiros apoiaram-no logo e começaram a trabalhar para chegar o mais rápido possível ao destino. Passara um mês, desde a "manifestação", e desapareceram duas naus numa enorme tempestade, ficando assim nove naus apenas. As naus que sobraram continuavam no mar. Os dias iam passando e os dentes iam ficando podres, mas mesmo com as sangrias, as pessoas continuavam a morrer. A fé era muita e o cheiro era mau. Os marinheiros começaram a pensar que as naus estavam amaldiçoadas, por tantos serem os seus pecados e, para se desculparem a Deus, fizeram auto de fé com as mulheres de má vida. Já tiravam à sorte quem havia de morrer, pois não havia alimentos para comer. Não havia esperança nos marinheiros, nem em Carlos Manuel Duarte, ele que era forte e enfrentava tudo e todos. Pela manhã, Carlos manda avançar até meia légua da terra, direitos à boca de um rio. O quebra-mar é forte. Mal se podem entender marinheiros e nativos. Mas Sílvio dá-lhes ainda um barrete vermelho e um sombreiro preto e, por troca, recebe um colar de conchinhas e um sombreiro de penas de ave, com plumas vermelhas, talvez de papagaio. E com isto regressam à nau, porque é tarde e a maré está a puxar muito. De volta a terra, ajoelhamo-nos e rezamos, abençoando a mesma, como se faz sempre que é descoberta terra. Sobem à nau e não fazem cortesia alguma, nem sequer ao Capitão-mor. Mas um deles põe olho no colar de ouro que, põe ao pescoço, e começa a acenar com mão para terra e depois para o colar, como que a dizer que há ouro naquela terra. Mas isso percebem os portugueses por assim o desejarem, mas se o nativo quer dizer que deseja levar o colar para terra, isso não querem eles entender... Carlos mostra um papagaio que trouxe de África. Os nativos logo o tomam e apontam para a costa, como que a dizer que naquela terra existirão papagaios. No convés, viram-se então de costas, sem terem nenhuma maneira de cobrir o seu corpo. O Capitão-mor manda deitar-lhes um manto por cima o que eles consentem e descansam, adormecendo de seguida. Será possível que possa haver um mundo diverso daquele em que o Capitão-mor viveu e conhece? Sem guerras nem perfídia, nem traições? Será possível a fraternidade entre os homens e a comunhão dos seus interesses? Existe ainda na Terra o Paraíso que Adão e Eva perderam por malícia da Serpente? Esta terra é imensa, tal como imaginávamos, dela não se vê fim. De ponta a ponta é toda praia de areia branca, com arvoredo a perder de vista cheio de aves exóticas muito coloridas. A temperatura é boa e amena. O mar é de um azul transparente e limpo. As águas são quentes. A alegria era muita, pois iam voltar para casa e matar saudades das famílias, mas também existia muita tristeza por deixar aquele lugar, tão bonito e tão belo. Chegámos a Portugal. A viagem correu bem, durou menos tempo e foi menos dura. Todos estávamos felizes, apesar de tristes pela perda de alguns companheiros que não conseguimos salvar. Nunca na vida irei esquecer esta viagem, e, compreendo agora a força que motiva o nosso povo a partir à conquista de novas terras, novos mundos, novos povos. Realizado por: |
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