O que os nossos alunos escrevem... PDF Imprimir E-mail
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Quarta, 29 Novembro 2006

A propósito de uma composição do manual adoptado, no oitavo ano, seleccionamos os seguintes textos subordinados/condicionados ao tema: "Se não precisasses de dormir, como passarias o tempo?"

Se não precisasse de dormir, sonharia. Sonharia e faria o meu melhor para tornar os meus sonhos mais realísticos em verdadeiras acções e verdadeiros acontecimentos. Realidade.

Ao contrário de muita gente, defendo que uma pessoa pode sonhar, mesmo sem estar a dormir. Os sonhos são um estado de alma que nem toda a gente consegue alcançar. Para as crianças e para os jovens é mais fácil, por alguma razão que ninguém sabe ao certo... Talvez esteja relacionado com a inocência...

Mas, claro que tal coisa - passar o tempo a sonhar - só seria possível se fosse exclusivamente eu, a única possuidora da sorte de não precisar de dormir. Se todas as pessoas tivessem essa possibilidade, provavelmente, todos faríamos o mesmo que costumamos fazer na nossa rotina. A única diferença era que seria a dobrar. Como todos teríamos, mais ou menos, o dobro do tempo disponível, creio que teríamos, também, o dobro do tempo de aulas, o dobro de trabalhos de casa, o dobro de horas no emprego e, por aí adiante, o dobro de tudo.

Se fosse a única dona e senhora de tal presente, aproveitaria o meu tempo disponível ao máximo, fazendo aquilo de que mais gosto, sonhando...

Para mim os sonhos são a coisa mais importante e agradável que se pode ter. A mente aberta... Deixando a imaginação correr livremente ao avistar a mais pequena, mínima e insignificante coisa no mundo: a queda de uma folha, um céu subitamente coberto de nuvens, o desabrochar de uma flor... E deixar a imaginação explodir com uma mudança maior: o arco-íris que se ergue ao longe, a lua cheia mais bela, maior e mais magnífica que nunca, um pôr-do-sol que parece pintar todo o mundo nos seus fortes tons avermelhados...

Sonharia até me cansar de sonhar. Digo "cansar" e não "fartar"... Quando uma pessoa se cansa de algo, volta sempre a fazê-lo, embora passados uns tempos. Porém, quando uma pessoa se "farta" de algo, jamais o volta a fazer. Qualquer pessoa se pode cansar ou fartar de algo, por mais que ame esse algo, porque é fado de todos os humanos querer mais e mais e muito mais do que aquilo que já têm.

Portanto, quando me cansasse de sonhar, escreveria os meus melhores e mais grandiosos sonhos numa folha de papel azul. Pois, os sonhos bonitos, agradáveis, doces e macios são, pelo menos para mim, azuis e não cor-de-rosa como muita gente diz serem.

Depois de os escrever, de imortalizar os meus sonhos e os meus pensamentos num papel para a eternidade, ocuparia as horas de sono sem sono, fazendo aquilo que bem me apetecesse. Claro que seria conveniente que o que quer que me apetecesse não incomodasse os demais e o seu sono, portanto, teria sempre algum cuidado... Ver os filmes que mais pensasse despertarem a imaginação, jogar computador online, conhecendo novas gentes e culturas de outros países, ler cem vezes o meu peso em livros foi e será sempre o meu maior sonho... Embora eu admita que é um sonho um pouco complicado e, no mínimo, extravagante...

Talvez decidisse começar a realizar os meus trabalhos de casa só durante a noite... Como sou um pouco perfeccionista, demoro sempre muito tempo a fazê-los... Assim, poderia aproveitar as horas de luz para estar com os meus amigos... Amigos, tão indispensáveis como ar que se respira...

Inês Isabel Resende e Silva
Nº 20                 Ano: 8º           Turma: 1ª

 

 

Era de noite, a casa estava silenciosa. Era estranho. Toda a minha família estava a dormir. Eu não, nem sabia o que isso era, nunca o experimentara. Quando nasci, os médicos pensavam que ia morrer, porque é essencial o sono. Mas, para mim, não. Nunca dormi na minha vida, nunca foi necessário. Após meses de análises, os médicos concluíram que o meu organismo funcionava normalmente, mesmo sem dormir.

Mas, voltando à história... A minha família tinha-se deitado há meia hora, aproximadamente. Eu, seguindo a rotina de todas as noites, sentara-me em frente ao computador e ligara-me à Internet. Naveguei durante duas horas, era agora meia-noite. Cansei-me. Estava farto. Porque é que tinha de passar a noite toda em branco? Olhei pela janela. A noite estava bela... A lua cheia, ligeiramente coberta por nuvens, brilhava lá no alto. As árvores, essas dançavam lentamente ao sabor do pouco vento que soprava, formando estranhas sombras nos passeios iluminados pelos candeeiros eléctricos. Toda a noite era uma melodia doce e triste ao mesmo tempo, uma melodia convidativa aos mirones. Fechei os olhos, entrei em "transe". Não ouvia nada, apenas as árvores a balançarem, roçando as folhas umas nas outras e a lua que chamava por mim. Como seria bom ir lá para fora agora, perder-me na noite, dançar com as árvores... E porque não? - pensei. Desliguei o computador e fui, pé ante pé, verificar se a minha família estava a dormir. Estavam. Vesti um casaco e saí para a rua.

Quando abri a porta e a brisa nocturna veio ao meu encontro, senti-me outro. Senti que fazia parte da noite, senti que era meu destino sair à rua, senti que era natural sair à rua àquela hora da noite.

De repente, os candeeiros apagaram-se. A dança das árvores ficou mais bela, mais triste, mais sedutora...O luar dava um tom branco à noite, um belo contraste, os opostos. Mas era óbvio que, entre as danças e melodias da natureza, a noite era rainha. Talvez por ter menos tempo para reinar, a noite criava um impacto fora do comum. Toda a gente estava habituada ao dia. Muito sinceramente, para mim, o dia era aborrecido. Revelava tudo... A noite, essa era misteriosa, cobrindo tudo com o seu manto negro, iluminada apenas pelo leve véu branco do luar.

Comecei a andar... A noite estava calma. Não havia movimento. Posso arriscar dizer que era a única pessoa na rua. Andei pelo meu bairro, encantado com a melodia nocturna da natureza, com o suave assobio do vento por entre as árvores.

Perdi a noção do tempo e, quando olhei para o relógio, eram cinco e meia. Já a noite começara a desaparecer, levando com ela a escuridão, a melodia, o mistério... enfim, levando todo o seu encanto. Despedi-me dela com um sorriso e fui para casa.

Tomei banho, vesti-me e saí para a escola, levando comigo as memórias, não de uma noite, mas da noite.

O meu problema de sono acabou por ser uma dádiva.

Eduardo Estêvão
Nº 14     Ano: 8º   Turma: 1ª     

 

Se eu não precisasse de dormir, passaria o meu tempo a jogar playstation ou computador, mas tenho a certeza que iria ver televisão. O canal, não sei bem qual seria! Talvez o Fox Life, ou o Fox, mas o mais provável era ver o MTV Base, pois esse é o meu canal favorito e o melhor é que não fecha. Está sempre a dar música, o que é fantástico. É um canal dedicado apenas a dois estilos de música que são o hip-hop e o r'n'b. É super, pois esses são os meus estilos de música favoritos e é sempre bom estar actualizado no mundo da música. Se não pudesse estar a fazer todas estas coisas, estaria a passear na rua ou a ver as estrelas e a lua da minha varanda, pois a minha varanda é muito grande. Até dá para jogar futebol! Isso também seria divertido, se tivesse comigo os meus amigos. Sozinho não tem graça jogar à bola, aliás, fazer as minhas coisas sozinho não tem nenhuma piada. É tudo aborrecido e, por isso, sou muito chegado aos meus amigos.

Mas, se não pudesse fazer nada disso, não sei o que faria. Estou a ficar sem opções, pois, à noite há muito pouca coisa para fazer. Contudo, ir ver um concerto de hip-hop a um bar é muito giro. Então, beber uma Coca-Cola bem fresquinha é incomparável, nada consegue bater isso, "uma Coca-Cola bem fresquinha". Com uma boa música é mesmo fantástico.

Mas, se não pudesse fazer isso, ia à polícia pedir uma licença de ruído para poder dar uma festa a altas horas da noite, com todos os meus amigos e pessoal da escola. Dentro dessa festa, organizaria um concurso de Freestyle para rirmos um bocadinho e convidaria uma banda que fosse de reconhecimento internacional, como os Black Eyed Peas ou a G-Unit. Estas, para mim, são as bandas mais fixes. São, de momento, as bestiais.

Basicamente era isto que eu faria, se não precisasse de dormir, por isso, agora tenho de me despedir, pois já estou a ficar com sono.

Adeus e até uma próxima composição.

João Sequeira
Nº 22     Ano: 8º    Turma: 1ª

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