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Quem hoje brinca e se diverte ao Carnaval, fantasiando-se das mais diversas formas, não imaginará a provável origem desta festa. Ela vem do tempo em que se adoravam os deuses pagãos. Construíam-se barcos sobre rodas, os chamados "carrum navalis", ou seja, carros navais, profusamente enfeitados, onde eram colocadas as ofertas primaveris: flores, frutos e outros. Esses carros eram conduzidos até aos rios ou mares, e lá eram lançadas as ditas oferendas. Daí os actuais corsos, constituídos por carros alegóricos que desfilam nesta época. A Igreja Católica apropriou-se do termo "carrum navalis", atribuindo-lhe o sentido de "a carne vale", podendo-se comer esta, sem restrições, antes do período da Quaresma. É também no Carnaval que se registam excessos a todos os níveis, desde o abuso da carne até aos disfarces, máscaras, partidas e infracções que, no dia a dia, seriam sancionadas. Em certas zonas do País renascem tradições relacionadas com os excessos permitidos nesta quadra. No Nordeste Transmontano saem à rua os caretos e as matrafonas, em especial em Podence, que achocalham as moças e pregam partidas a quem ousar vir à rua; em Torres Vedras desfilam os cabeçudos e gigantones, para grande gáudio da criançada; no concelho de Bragança são os mascarados de Varge que dão uma nota especial a estes dias de brincadeira. Mas a fantasia foi criando asas e hoje em dia os foliões manifestam-se criativamente por todo o Mundo, atingindo no Rio de Janeiro o auge da beleza, ritmo e cor. Em alguns pontos do nosso país tenta-se imitar o Carnaval do Rio, embora sem grande sucesso, devido ao clima e a outros ingredientes que só no grande sambódromo resultam plenamente. Talvez fosse melhor explorarmos as nossas tradições, tal como em Veneza acontece, onde as máscaras continuam a transmitir beleza, encanto e todo o mistério que pode existir atrás deste disfarce.
Clube de Jornalismo Prof. M. Isilda |